Reforma da Administração Local e do Território

Cinquenta anos de
poder local.
Uma reforma de sistema.

Datas
28 e 29 de setembro de 2026
Local
Alcobaça
Formato
Nove painéis · dois dias

Link de inscrição brevemente disponível.

O Summit

Em 2026 assinalam-se os 50 anos das primeiras eleições autárquicas democráticas. Meio século depois, o poder local é uma das maiores conquistas da democracia portuguesa, mas também um edifício que chegou aos limites do seu desenho original.

Camadas institucionais sobrepostas, modelos democráticos pouco atualizados, competências transferidas sem balanço rigoroso, um nível regional por resolver e uma administração que perde capacidade técnica são desafios que não se resolvem isoladamente.

O Summit Políticas Públicas nasce desta ideia: a reforma da administração local e do território é uma reforma de sistema. A organização territorial condiciona as competências; as competências exigem financiamento; o financiamento requer legitimidade democrática; e tudo depende de instituições claras, pessoas qualificadas e informação de qualidade.

Nove painéis

O Summit percorre o “edifício inteiro” da administração local e do território.

01

Organização Territorial do Estado

A organização territorial portuguesa acumula estruturas e fronteiras que já não correspondem às necessidades dos cidadãos nem ao funcionamento real dos territórios. Este painel debate como redesenhar esse mapa — simplificando níveis, alinhando escalas e preservando identidades locais — para garantir uma administração mais coerente, eficiente e preparada para as próximas décadas.

02

Lei Eleitoral e Sistema de Governo

A lei eleitoral autárquica e o modelo de governo local permanecem quase inalterados desde o início da democracia, gerando executivos pouco claros, maiorias difíceis de escrutinar e desafios à responsabilização política. Este painel debate como atualizar esse sistema — da composição dos executivos ao reforço das assembleias, passando por novos instrumentos de participação cidadã e pelo estatuto dos eleitos — para renovar a legitimidade da democracia local e sustentar as restantes reformas.

03

Competências e Descentralização

A descentralização recente atribuiu aos municípios novas responsabilidades em áreas centrais como educação, saúde ou ação social, mas fê-lo com meios, ritmos e condições desiguais. Este painel avalia esse processo — custos reais, qualidade de serviço, transparência e papel do setor empresarial local — e discute a próxima etapa: uma descentralização mais política, fiscal e económica, com competências ajustadas à escala certa e mecanismos de prestação de contas que reforcem a confiança no poder local.

04

As CCDR e a Regionalização

A recente transformação das CCDR criou, pela via administrativa, um nível regional de coordenação sem resolver a questão maior: que organização regional deve ter o Estado português. Este painel avalia o novo modelo — eleição dos presidentes, integração de serviços, novo estatuto — e discute o futuro: aprofundar as CCDR, adotar soluções intermédias ou avançar para a regionalização político‑administrativa prevista na Constituição, clarificando competências, legitimidade e financiamento de um nível regional capaz de responder às assimetrias territoriais e aos desafios do próximo ciclo de fundos europeus.

05

O papel das Entidades Intermunicipais

As entidades intermunicipais tornaram‑se o nível que mais cresceu na governação territorial: coordenam fundos europeus, planeiam à escala supramunicipal e asseguram serviços que nenhum município isolado conseguiria prestar com igual qualidade. Este painel discute como lhes dar estatuto, governação e financiamento à altura das funções que já exercem, que competências devem assumir por defeito, como articular este nível com municípios, CCDR e administração central, e qual o seu papel no próximo ciclo de fundos europeus — uma decisão estrutural para a década.

06

Modelo de Financiamento

O financiamento local tornou‑se o ponto crítico da reforma autárquica: regras fragmentadas, transferências imprevisíveis e desajustes entre competências e recursos fragilizam sobretudo os municípios menores. Este painel discute uma nova lei das finanças locais — mais previsível, transparente e com autonomia tributária equilibrada — e o papel de municípios e entidades intermunicipais na gestão dos fundos europeus do ciclo 2028‑2034, condição essencial para que todas as restantes reformas possam realmente avançar.

07

Capital Humano na Administração Local

A administração local enfrenta um desafio crítico de capital humano: quadros envelhecidos, dificuldade de atrair técnicos qualificados e fortes assimetrias territoriais que limitam a capacidade de executar políticas, absorver fundos europeus e concretizar a transição digital. Este painel discute carreiras mais competitivas, partilha intermunicipal de equipas especializadas, renovação geracional e investimento em formação contínua — condições essenciais para que o ciclo 2028‑2034 seja executado com competência e para que as restantes reformas tenham base real.

08

Internacionalização — Cooperação Lusófona e Administração Subnacional

A modernização administrativa é também um exercício de cooperação internacional. Este painel reúne experiências lusófonas — do Brasil a Cabo Verde — para comparar modelos de governação subnacional, descentralização, digitalização e financiamento territorial, explorando aprendizagens mútuas e formas de estruturar projetos técnicos concretos. A internacionalização da experiência portuguesa de cooperação intermunicipal surge aqui como oportunidade de melhoria recíproca das administrações públicas no espaço CPLP.

09

Inovação e Inteligência Territorial

A transformação digital na administração local já não se resume a portais: depende da capacidade de usar dados para decidir melhor. Este painel mostra como a inteligência territorial — sistemas integrados, monitorização em tempo real e análise avançada — apoia o planeamento e a gestão pública, destacando casos de uso reais, condições de sucesso e o papel responsável da inteligência artificial. É o instrumento que torna operacionais todas as outras reformas, garantindo decisões informadas à escala municipal, intermunicipal e regional.

O resultado

Um documento de conclusões, construído com associações de municípios, academia, entidades intermunicipais e Governo.

Sustentado por uma rede de trabalho que continuará para além dos dois dias, este documento é o verdadeiro produto do Summit, e o ponto de partida para uma agenda reformista com visão de conjunto.

Programa

Brevemente disponível

O programa detalhado dos dois dias será publicado nesta página.

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